quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Escrevo sobre tudo, e, se for preciso também falo


Há uns tempos confrontamo-nos com uma realidade, a nível da imprensa, em que jornalistas assinam, numa coluna de opinião, artigos  onde expressam o seu ponto de vista. Até aqui, tudo bem é um direito que resulta de um contrato feito. O que me leva a expressar o meu espanto, relativo é certo, é que as pessoas em questão pretendem demonstrar que conhecem a fundo tudo, dominam uma multiplicidade de temas, não deixando transparecer, pensarão eles, que a superficialidade com que abordam os assuntos, e, muitas vezes, demasiadas vezes, a ignorância revelada são a sua marca.
Escrevem, como se tivessem que cumprir um calendário, não é importante o conhecimento que se possa ter, a presença semanal sobrepõe-se. É preciso falar ou escrever sobre o que quer que seja e, de imediato, as ideias fervilham. Pesquisar sobre o que se vai escrever ou dizer, para que o discurso seja credível, não é o objetivo essencial. Uma certa habilidade, a nível da escrita, uma pincelada pelo conhecimento, mesmo que mal feita, fazem parte dos seus desígnios.
O que me preocupa é que determinados órgãos de informação publiquem o que é escrito ou divulguem o que é dito.
A liberdade de expressão é inquestionável, mas têm que existir critérios. O conhecimento é imprescindível. Não pode valer tudo.