segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Carnaval

                                   
Carnaval, serpentinas, "confettis", máscaras, necessidade de alguns se transfigurarem, como se de uma catarse se tratasse.
As minhas primeiras memórias sobre o Carnaval transportam-me à cidade de Portalegre onde passei parte da minha infância e adolescência.
A primeira imagem que me surge é a de um homem vestido de mulher, num dia chuvoso, junto a um pinoco, defronte da minha casa, e pensei o que ainda hoje penso. O que será que leva os homens a quererem transformarem-se em mulheres?
A curiosidade pelo mundo feminino, o desejo de se esconderem, ou de assumirem outras personalidades, ou simplesmente o divertimento pelo divertimento?
Só eles saberão as verdadeiras razões, que provavelmente serão diversas.
Nunca me mascarei e não consigo achar muita graça ao Carnaval.
Recordo as festas nas casas dos amigos preparadas com muito entusiasmo, em que as expectativas eram grandes, as festas no clube da cidade, as idas ao cinema...
Para mim esta data está ligada, sobretudo, à música, à dança e à ausência de aulas.                                                                                                                                                       
Vários carnavais se tornaram célebres ao longo do tempo, o de Veneza, o de Paris, mas o do Rio de Janeiro é, sem dúvida, o Carnaval dos carnavais.
Uma reflexão me suscita o Carnaval - o divertimento e a alegria parecem ter data marcada para acontecerem, contrariando, assim, a espontaneidade que deveria ser a sua essência.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Os Portugueses merecem mais respeito

O ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, proferiu com grande veemência e convicção algo que fere quem o ouviu.
"Sabemos que hoje muitas famílias estão a atravessar sérias dificuldades, vítimas do sobreendividamento, vítimas do desemprego e de casos de desestruturação familiar e social. É por isso que queremos contratualizar com as instituições sociais a confecção e distribuição de refeições, para consumo no espaço da instituição mas também em regime de "take away" - isto é, para consumo no domicílio das famílias".
"Temos pessoas que recebem valores acima da média", disse o ministro, acrescentando que em 20% dos casos, os pensionistas recebem acima de 1000 euros em pensões.Temos de ter muito rigor na atribuição destas pensões. A lei diz que não se deve pagar este complemento social a quem recebe acima da pensão mínima."Os pensionistas têm a obrigação de declarar todas as pensões que recebem e estes pensionistas não o fizeram".
É preciso ser insensível. Como pode alguém pensar que uma medida de carácter assistencialista pode satisfazer as pessoas.
Não seria preferível pagar às pessoas o que elas merecem pelo trabalho desempenhado?
Se as pessoas auferissem rendimentos compatíveis com uma vida digna, a situação seria bem diferente. Uma vida de trabalho, muitas vezes com grandes sacrifícios, e pensões que deveriam envergonhar-nos como cidadãos conscientes e defensores de valores de carácter humanista, parecem não chocar quem detém responsabilidades políticas.
As medidas proclamadas não são inovadoras.
A duquesa de Palmela, Maria Luísa de Sousa Holstein Becker, juntamente com outras personalidades, teve a iniciativa de criar a primeira Cozinha Económica (1893 -  Monarquia). A Sopa dos Pobres foi criada por Sidónio Pais na Primeira República. Os tempos eram outros.
Não posso deixar de pensar que procedimentos desta natureza representam um recuo civilizacional.
É obsceno ter a coragem, ou melhor, o atrevimento de anunciar medidas que humilham os mais fracos, julgando com "ar inocente" que agem em função dos  seus interesses e trabalham para a resolução dos seus problemas, distribuindo pequenas esmolas que, no seu entender, só poderão ser bem acolhidas.
A idade deste excelso ministro pode não lhe conferir a sabedoria e a experiência que lhe permitiriam ter um outro discurso, mas a sensatez deveria acompanhar, sempre, o seu pensamento e a sua acção. Justificar o injustificável, dizendo que o Estado não tem dinheiro e é preciso fazer sacrifícios, esquecendo-se, propositadamente, que os que têm benesses e altos rendimentos, acrescidos de vários privilégios, têm sido os mais poupados, é revoltante.
Só podem estar a brincar connosco. Todos temos a noção exacta que as políticas adoptadas não acabam com as situações de grande injustiça, porque não há da parte de quem exerce a governação essa vontade, pois também eles perderiam no presente e quiçá, num futuro próximo, as mordomias que foram institucionalizadas ao longo do tempo, como se tratassem de direitos.
Continuamos a ver, no pleno exercício  da sua actividade, pessoas que recebem uma remuneração em acumulação com reformas. É imoral e incompreensível. Dizem-nos que os valores decorrentes desta situação escandalosa não são significativos. Alguém acredita? Nem os que colhem os benefícios que persistem em proceder a análises explicativas da situação a que chegou Portugal.
Os Portugueses merecem mais respeito.
Nada justifica que nos tratem como mentecaptos e sejam incapazes, apenas porque não querem, de recorrer à verdade, pondo de lado o cinismo e a indiferença com que falam de nós e para nós.
É de lamentar que a palavra rigor esteja ausente, quando agem em causa própria, e a falta de memória marque presença nas justificações titubeantes que pronunciam.
Que será feito de um político, líder do partido CDS/PP (Democracia Cristã - inspirado na doutrina social da Igreja) a que pertence este Sr. ministro, que até há bem pouco tempo, chamava a nossa atenção para as condições de vida dos mais carenciados, manifestando uma grande preocupação e afirmando que era imperioso uma mudança de políticas e de políticos.
Mudaram os políticos, mas as condições dos mais desfavorecidos não se alteraram e as promessas feitas não se estão a concretizar.
Pelo contrário, aumentou o número de pobres e surgiram de forma preocupante e assustadora, novos pobres. A classe média vive angustiada ao ver que é expropriada e não vislumbra no horizonte sinais de mudança.
Este político remeteu-se ao silêncio, mas como homem inteligente que é, sabe que as condições apenas se alteraram a seu favor e não daqueles que, repetidamente, dizia serem a sua preocupação central.
Ironia, falsidade, ou palavras vãs, ditas apenas com o intuito de colher benefícios?



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Namorar É Importante

     Os Amantes - Mar Chagall

Namoro, encantamento, paixão, sofrimento, relação interpessoal que nos envolve e nos leva a dar ao outro muito de nós.
Encantando e seduzindo entregamo-nos de mais, quando devíamos partilhar e não abdicar do que é a nossa essência.
Todos, de uma forma, ou de outra, agimos e reagimos de forma “irracional”em função do que amamos.

A paixão, do latim “patiore”, é efémera, provoca sofrimento e dor, mas atrai-nos e torna possível o que parece inatingível, provoca-nos múltiplas sensações, faz com que queiramos agarrá-la com força e prendê-la para sempre.
 Quem consegue tal proeza? Vontade não falta, mas a razão acaba por nos arrebatar e faz-nos acordar.
O amor com o tempo vai sofrendo transformações, mas quando é forte consegue reacender a chama da paixão e surge a cumplicidade, que de mãos dadas lhe dá uma nova dimensão.
Amores e desamores vão adoçando e apimentando a nossa existência.
Quem não gosta de estar apaixonado?


"Nada existe de grandioso sem  paixão".
              Hegel, F.


          

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Iluminados? Apenas atrevidos


Será que se julgam iluminados?
Nos últimos tempos, não há dúvida que nós, os Portugueses, temos sido muito bem tratados por alguns políticos que nos têm mimoseado e não deixam por mãos alheias tamanhos elogios.
Um traço comum os une - arrogância, ignorância e atrevimento.
Apetece-me perguntar-lhes. Será que se dão conta do que dizem? Consideram as pessoas, ou melhor dizendo, como alguns gostam e fazem questão de sublinhar, o povo desprovido de inteligência e de sensibilidade, ou a falta de vergonha e a ausência de valores os impele a proferir tais impropérios?
Estou farta de ouvir dizer: “têm que trabalhar mais; têm que poupar; não podemos viver acima das nossas possibilidades”, etc,etc.
Será que não têm consciência, que aqueles que ousam proferir tais palavras fazem parte do grupo responsável pela situação a que chegou o País, ou seja, a classe política, que apenas se preocupou e continua a preocupar com ela própria e criou as condições que lhe permite usufruir de regalias que são escandalosas e ofendem as pessoas de bem.
Basta. Roubam-nos descaradamente, não têm respeito por nós e pretendem dar-nos lições de moral.
Alguns recebem reformas e cumulativamente auferem outras remunerações e subvenções, outros não se eximem de apresentarem justificações desprovidas de bom senso e "brincam" connosco de uma forma ofensiva.
A mentira e o insulto são as armas preferidas. Tentam menosprezar a nossa inteligência, são insensíveis à realidade, bem dolorosa para alguns, mas arrogam-se, perante os nossos olhos, de salvadores da Pátria.
Muitos deles, o único trabalho que desenvolveram foi na actividade política, tendo ingressado muito cedo num partido e, se pensarmos com realismo, não contribuíram para o desenvolvimento do País. No entanto, quando falam pretendem dar a imagem que a sua vida casa com trabalho, com responsabilidade e com honestidade.
Um dos nossos “brilhantes ministros” não teve pejo em afirmar, recentemente: é preciso ter algum recato. Nos tempos que correm, cada vez mais se verifica, que aqueles que deveriam ter um cuidado redobrado com as palavras, parecem desconhecer o seu significado, o que me leva a concluir que a ignorância é atrevida.


A ignorância

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

À tua, À nossa, À de todos....


Parabéns

Em Fevereiro chegaste.
Domingo, noite chuvosa...
E nossas vidas alegraste.
Pais, Avós, Tios...
Todos com ternura olhámos para ti.


Trinta anos vividos.
Alegrias, tristezas, dificuldades também.
Quem as não tem?
Desafios, receios, medos.
Dúvidas? De tudo um pouco.
Mas a esperança não é companheira vã.
Vontade de desistir, revolta, perseverança
De tudo um pouco.
Mas o desejo de vencer irá permanecer.
Companheira e amiga, a música.
Presença constante, sonho, aventura?
Não, realidade se tornará.
O futuro sorrirá.
De mãos abertas o receberás.






domingo, 5 de fevereiro de 2012

Dia de celebração - memórias






 Um desafio. Reconhecem o espaço? No centro uma palmeira, diversas vezes nos juntámos neste local, a família toda, só faltava o Jú como costumávamos dizer.
Verão, semanas, dias prolongados com exames que nunca mais acabavam, orais e mais orais...


5 de Fevereiro, dia de anos do Papá - Domingo



















A Família - Adam Simon Johannes


Dia cinco de Fevereiro, dia de anos do Papá.
Saudades, muitas. Lembranças, várias.
Desde sempre, a Mamã nos transmitiu a importância de festejarmos e celebrarmos esta data. O Papá era colocado no centro da nossa atenção. Recordo os almoços prolongados de domingo, vividos pelos cinco. Normalmente, a ementa era mesma, mas neste dia as conversas que existiam ao longo da refeição, que se ia prolongando, eram de grande importância. Vários eram os temas abordados, o tempo passado em Coimbra como aluno de medicina e as suas aventuras, mas a política era uma constante, tinha um papel crucial.
Todos ouvíamos com muita atenção e bebíamos as suas palavras. A minha reflexão era sempre a mesma, o Papá sabe imenso e fala cheio de entusiasmo e convicção.
Aprendi muito e a minha admiração foi crescendo.
Falar do Papá é falar de honestidade, de verticalidade e de simplicidade.
Com alegria e grande união nos juntámos neste dia. Mais tarde, outros foram chegando e comemoraram connosco esta data.
A importância da família era sempre focada e com graça o papá dizia: “não sigam o exemplo da vossa tia e da vossa avó”. O sentido de humor, requintado, era uma das suas características.
Apesar de ter um ar triste e ser, por natureza, nostálgico e pessimista, quando acordava bem disposto, trauteava duas canções – “É uma casa Portuguesa, Com Certeza”, ou, “Não Quero que Vás à Monda”.
 Lembram-se?